Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

O Velho, o Menino e o Mar


O ano, 1974, era ainda o que mais tarde conheci como anos de chumbo. A ditadura de Ernesto Geisel - recentemente empossado em substituição ao governo, também militar, de Emílio Garrastazu Médici -, levava para os porões todos aqueles que se opunham ao terror do Estado de Exceção. Vivíamos uma guerra silenciosa e fratricida.

Eu, com apenas 14 anos de idade, nem imaginava que isso estava acontecendo nos grandes centros do meu país. Mesmo porque eu travava outra guerra. E não era com o Exército Brasileiro, mas com um exército de micróbios que havia se alojado de uma parte do meu esqueleto.

Não sei se era uma batalha igual ou mais difícil do que aquela que os estudantes e intelectuais travavam contra o governo carrasco. Mas sei que era muito difícil para todos, principalmente para mim e para os meus pais.

Os meus inimigos, de tão pequenos, eram invisíveis, e se a ditadura amordaçava, prendia, torturava, humilhava e provocava terríveis dores aos homens que a enfrentava, a minha batalha não era diferente. Eu também sofria, gemia, perdia peso e ficava preso, não na cadeia, mas numa casca branca de gesso, feita especialmente para me imobilizar.

Foram anos de luta contra o exército invisível! Foram oito meses de imobilização!

Fiquei proibido de correr, de estudar, de brincar com carrinhos, de tomar banho de lagoa, de subir em árvores, de brigar e brincar com os outros meninos... Enfim, fiquei proibido de ser criança.

Sofri e fiz sofrer aqueles que me amavam, e, por isso, o meu sofrimento era dobrado. Mas nem por isso maldizia a sorte. Tudo sofria, tudo suportava e tudo levava-me a crer que tudo passaria.

Tinha a meu favor a juventude, o otimismo e a curiosidade. Aquela batalha, que tanto sofrimento causava a todos, causava-me também certa excitação, pois me tirou do meu mundinho limitado e provinciano. Fez-me conhecer pessoas e coisas diferentes. Fez-me falar ao telefone pela primeira vez e, também, pela primeira vez, andei de elevador. Descobria ali o meu admirável mundo novo.

Um dia, já em “liberdade provisória” e de muletas, pois os homens da ciência (ainda bem que não eram os de Geisel!) haviam serrado os meus grilhões (o gesso), estava com o meu pai em mais um retorno médico. Fomos informados, então, de que os exames requisitados não poderiam ser feitos ali. Somente no Hospital de Clínicas.

Mais um desafio para o meu pai, que me levava ao médico graças ao sacrifício de uma galinha, subtraída do quintal da nossa casa e vendida por alguns Cruzeiros. Mas, com 14 anos eu não entendia que, pela democracia do nosso país, pessoas estavam sendo assassinadas pelo governo militar. Também não entendia as limitações financeiras do meu pai. Eu pensava que, apenas por ele ser grande e eu pequeno, isso não era tão difícil para ele. Eu sofria por outros motivos. Sofria se ele ou minha mãe me vissem chorando de dor.

Mas, eu, com minhas muletas, não estava sentindo dores agora. Estava curioso, pois, outrora, haviam me informado que, daquele hospital onde faríamos novos exames, era possível avistar o mar.

Como eu estava feliz, mesmo percebendo o desapontamento do meu pai!

E ele, percebendo a minha excitação para conhecer as águas que nos separam do continente africano, mostrou-se solícito. E eu, pequeno, frágil, porém astuto, logo senti que podia persuadi-lo.

Caminhamos até uma espécie de muro que separava o hospital de um precipício e subitamente uma brisa, suave e salgada, acariciou-me o rosto e agitou os meus cabelos, na época, tão fartos. Os meus olhos também não resistiam ao espectro de descobrir aquele que eu somente conhecia por intermédio das narrativas da minha mãe: "O mar é azul", "O mar tem ondas perigosas", "O mar não tem fim". Era isso o que eu sabia sobre o mar.

E finalmente lá estava ele: maravilhosamente grande e diferente do que criara em minha imaginação. Mas tinha ondas, parecia infinito e era azul.

E que azul!! Um azul tão intenso que se confundia com o céu.

Se naquela época conhecesse Fernando Pessoa e sua obra, logo teria me lembrado do seu poema Mar Português, em Mensagens: “(...) Deus ao mar o perigo e o abismo deu/Mas foi nele que espelhou o céu”.

Mas, lembrei-me da minha mãe e das inúmeras estórias que ela nos contava envolvendo o mar.

Estava inquieto. Queria mais. Queria chegar mais perto. Andar na areia, pegar naquela água com as mãos, talvez! Era querer muito mais do que o meu pai podia me dar, sobretudo para um menino de muletas e tantos obstáculos até a beira mar.

Mas o meu pai, bondoso e compreensivo, sentia o meu coração palpitar de emoção ao me deparar com aquela obra da Natureza. Foi cedendo aos meus apelos para descer um pouquinho, só mais um pouquinho e... pronto: lá estava eu, caminhando ao seu lado e, literalmente, diante do mar. O mar que eu só conhecia na minha imaginação, com o auxílio da minha mãe.

Mas, eu queria mais. Pedi ao meu pai para segurar as muletas, aproveitei uma onda que parecia estar me dando boas-vindas, apanhei um pouco d'água com as duas mãos e levei à boca. Queria sentir o sabor daquela que diziam ser salgada. E senti.

Senti o sabor da água do mar e senti o tamanho do amor que o meu pai sentia por mim.

Sábado, 24 de Janeiro de 2009

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

A Arte da Natureza

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O lago Mashu localiza-se no Parque Nacional Akan, na ilha de Hokkaido, no Japão, e está situado a 351 metros de altitude na cratera de um vulcão inativo. Suas águas são tidas como as mais puras do globo terrestre. A profundidade maior atinge 212 metros e o comprimento é de 21 quilômetros. Não é permitido o contato do homem, para preservar a pureza. O lago é considerado um santuário natural.

A superfície é extremamente serena e de cor azul intenso. Por isso foi criado o termo "azul mashu".

A pureza do lago se explica por sua origem. Não há rios ou córregos que o formem. Isso traria contaminações do solo, de folhas, de material orgânico.

O lago Mashu também é uma obra de arte. A arte da Natureza!


Domingo, 6 de Janeiro de 2008

ALELUIA

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Händel mais jovem


Händel mais velho
ALELUIA(hebr halleluiah):
Cântico de alegria.
Alegria.
Louvor.
Liturg Trecho que, na missa, segue ao gradual.
O mesmo que sábado santo.
Exclamação de júbilo.
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George Friedrich Händel (ou Haendel) - compositor barroco alemão
•Nascimento: Halle an der Saale, 23/02/1685
•Morte: Londres, 14/04/1759 (74 anos)


•Nasceu no norte da Alemanha, como filho de um barbeiro e cirurgião.


•Começou a tocar cravo às escondidas do pai, que não queria vê-lo músico.


•Por ocasião de uma visita à corte de Saxe-Weisenfells, o duque, impressionado com seu talento, convenceu o seu pai a colocá-lo sob a orientação de F.W.Zachau, organista da catedral de Nossa Senhora, em Halle.


•Aos sete anos, aprendeu vários instrumentos, contraponto, composição, violino e oboé, simultâneos aos estudos no ginásio luterano de sua cidade.


•Atendendo às exigências paternas, Händel fez estudos jurídicos na universidade de Halle, doutorando-se em direito.


•Conheceu o sucesso, como compositor de música sacra, de música de câmara, de oratórios e de óperas.


•De 1740 em diante, Händel passa a se dedicar mais à composição de oratórios, dentre os quais O Messias e Judas Macabeu.


•Händel faleceu em 1759, em Londres, 8 anos após ter ficado cego de um olho, e mais tarde de ambos.


•Suas obras incluem 32 oratórios, 40 óperas, 110 cantatas, 20 concertos, 39 sonatas, fugas, suítes, obras sacras para missas e obras orquestrais.


•A música (e às vezes a personalidade) de Händel costuma ser comparada e confundida, pelos leigos, com a do seu contemporâneo J.S.Bach.


•Ambos se parecem em seu gigantismo, ambos restabeleceram a ordem no caos resultante do experimentalismo do século XVIII, ambos tiveram na fé luterana a motivação profunda para sua música religiosa e ambos reconstruíram em maiores dimensões a polifonia vocal,


•Mas Händel e J.S.Bach foram personalidades muito diferentes.


•Enquanto o segundo ficou restrito a um ambiente provinciano, Händel foi homem da grande sociedade de Londres.



O MESSIAS (Messiah)


•A mais emblemática oratória de Händel
•Um dos grandes monumentos da música
•Trabalho acelerado: normal em Händel
•Alguns a comparam apenas à 9° Sinfonia de Beethoven
•Composta em 24 dias, e terminada a 14/09/1741
•O Messias costuma ser executado com um coro de centenas de integrantes, Handel, porém, não pensava em mais de 60 pessoas, incluindo coro, orquestra e solistas.
•Parte I - apresenta a Profecia e o nascimento de Jesus, a parte II é a paixão culminando no "Hallelujah Chorus" e a parte III traz o tema da Redenção.


O QUE É UMA ORATÓRIA ou UM ORATÓRIO? um drama musical sem cena e com um personagem típico: o narrador de uma ação imaginada



O MESSIAS (Messiah) – tradução da Sinfonia Pastoral


Ouça a obra:



•14 - Recitativo (Soprano) – Lucas 2:8
There were shepherds abiding in the field,
Havia pastores morando no campo,
keeping watch over their flock by night.
mantendo guarda sobre seus rebanhos à noite.
•Recitativo (Arioso) (Soprano) - Lucas 2:9
And, lo, the angel of the Lord came upon them,
E eis, o anjo do Senhor veio sobre eles,
and the glory of the Lord shone round about them,
e a glória do Senhor brilhou ao redor deles,
and they were sore afraid.
e eles ficaram com muito medo


•15 - Recitativo (Soprano) - Lucas 2:10-11
And the angel said unto them: Fear not,
E o anjo disse a eles: não temam,
for, behold, I bring you good tidings of great joy,
pois, eis, eu trago a vós boas novas de grande alegria,
which shall be to all people.
a qual será para todo o povo.
For unto you is born this day in the city of David
Pois para vós nasceu neste dia na cidade de Davi
a Saviour, which is Christ the Lord.
um Salvador que é Cristo o Senhor.


•16 - Recitativo (Arioso) (Soprano) - Lucas 2:13
And suddenly there was with the angel
E de repente havia com o anjo
a multitude of the heavenly host praising God, and saying:
uma multidão das hostes celestiais louvando a Deus e dizendo:
•17 - Coro - Lucas 2:14
Glory to God in the highest,
Glória a Deus nas maiores alturas,
and peace on earth, good will toward men.
e paz na terra, boa vontade para com os homens


Apocalipse 19:6; 11:15; 19:16
Hallelujah: for the Lord God omnipotent reigneth.
Aleluia pois o Senhor Deus onipotente reina
The kingdom of this world is become the kingdom
O reino deste mundo se tornou o reino
of our Lord, and of His Christ;
de nosso Senhor e de Seu Cristo;
and He shall reign for ever and ever.
e Ele reinará para sempre e sempre.
King of kings, and Lord of lords. HALLELUJAH!
Rei dos reis, e Senhor dos senhores. ALELUIA!

Colaboração: Fraternidade Rosacruz - Campinas-SP

Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

O CAMINHO SE FAZ, CAMINHANDO

Clique na imgem, para ampliar.

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números e pontes, e semi-deuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria pessoa. Tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o".
Frederic Nietzsche

Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Feliz Natal!

Madonna Litta. c. 1490. Leonardo Da Vincci, St. Petersburg - Clique na imagem para ampliar

Como eu gostaria que todo ser humano soubesse que existe dentro de si uma força interior capaz de mudar a vida de cada um e fazê-lo despertar para um novo amanhecer.
  • A todos, ofereço esta Toccata et fugue - Johann Sebastian Bach.
  • E que a luz do Menino Jesus, ilumine a consciência de todos os homens para que, juntos, construamos um mundo melhor!

  • Feliz Natal!

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

O Princípio

A Criação de Adão - Michelangelo (Clique na imagem para ampliá-la)

De acordo com o axioma hermético "como é em cima, é em baixo", os Sistemas Solares nascem, morrem e tornam a nascer, seguindo ciclos de atividade e repouso, tal como acontece com o homem.

Há um constante fluxo e refluxo de atividade em todos os domínios da Natureza, correspondentes à alternância do dia e da noite, do verão e do inverno, da vida e da morte, etc.

Diz-se que, no princípio de um dia de Manifestação, certo Grande Ser (chamado, no Ocidente, Deus e com outros nomes em outros países), isola-se a Si Mesmo em certa porção do Espaço e nele cria um Sistema para evolução e aumento de sua própria consciência.

Inclui em seu próprio Ser hoste de gloriosas Hierarquias, de incomensurável poder e esplendor. São o fruto de passadas manifestações desse mesmo Ser, e também de outras inteligências em graus descendentes de desenvolvimentos e, até, de outras que não adquiriram um estado de consciência tão elevado como o de nossa humanidade atual. Note-se que estas últimas não poderão terminar sua evolução neste Sistema. Em Deus, esse Grande Ser Coletivo, existem seres de toda classe de inteligência e de estado de consciência, desde a onisciência até a inconsciência, mais profunda ainda que a de transe. (...)

Durante o período de manifestação com o qual estamos relacionados, esses seres de vários graus trabalham para adquirir mais experiência do que a que possuíam ao princípio deste período de existência. Os que, em manifestações anteriores, alcançaram mais alto grau de desenvolvimento auxiliam os que não desenvolveram ainda consciência apropriados para o trabalho futuro. Quanto aos que principiaram sua evolução num anterior Dia de Manifestação mas não chegaram a um grau superior quando esse Dia terminou, prosseguem agora a tarefa, assim como nós prosseguimos cada manhã, depois do repouso da noite.

Nem todos os seres entram em atividade no início da nova manifestação. Esperam até que tenham sido criadas, pelos que os precederam, as condições necessárias ao seu labor.

Não há nenhum processo instantâneo na Natureza. Tudo se desenvolve com extraordinária lentidão; todavia, ainda que lentíssimo, esse progresso é absolutamente seguro e alcançará a suprema perfeição. Tal como há estados progressivos na vida humana, infância, adolescência, virilidade e velhice, assim no macrocosmo existem diferentes estados correspondentes a vários períodos da vida macrocósmica. (...)

(Extraído do CRC, página 157)